Parece uma pergunta estranha, mas não é. Infelizmente.

Numa sociedade em que a procura pelo bem estar e a felicidade parece estar em cada canto, se sentir mal por estar se sentindo bem pode parecer não só uma contradição, mas um absurdo. Entretanto, algumas pessoas passam por isto, em seus grupos de amigos e famílias. Como?

Estar bem é, antes de tudo, um estado de equilíbrio. Um sentimento de conforto emocional onde apesar das adversidades não estamos de forma demasiada identificados com um estado emocional negativo, como raiva ou ansiedade, ou com algum tipo de desconforto fisiológico: dores, tensões, etc.

Por exemplo, a definição utilizada em arquitetura ou engenharia para definir o que significa conforto ambiental é: O estado do ambiente em que o corpo precisa fazer o mínimo esforço, ou nenhum, para se sentir adaptado. Ou seja, a temperatura é amena, assim como a iluminação, não causando nenhuma sobrecompensação em nossos sistemas de manutenção de vida para se adaptar ao espaço em nosso volta. E cada pessoa tem um ponto ideal de conforto, sendo que para algumas pessoas vão preferir ambientes um pouco mais frios, ou mais iluminados. É importante perceber qual é o seu ponto de conforto, e como ele difere de outras pessoas. E como isso se aplica ao nosso estado emocional?

Poderíamos dizer que se sentir bem, ou confortável, do ponto de vista emocional é também um estado de equilíbrio com o meio ambiente mas mais importante que isso, é um estado de equilíbrio interno. Não nos sentimos levados a expressar nossas dores internas para o ambiente — projeções — nem nos sentimos em necessidade que o nosso meio nos provenha com nossas carências. Em suma, é um estado em que nada nos falta, e nos sentimos em paz conosco.

Isso não significa ausência de problemas, ou mesmo de necessidades. Significa sim, que apesar de nossos problemas e necessidades nós sentimos que são desafios que estão ao nosso alcance, que damos conta de nossa vida, e que nos sentimos apoiados e estruturados para cumprir nossas tarefas.

E quando atingimos este estado, porque é que nos sentiríamos mal, se ele parece um estado tão bom?

Quando isso acontece, alguns pontos devem ser observados.

O primeiro, interno, é um sistema de crenças que pode estar autossabotando você. Há uma série de crenças que trabalham de forma inconsciente e que podem ter sido registrados em nosso corpo e em nossa mente muito antes de nós termos consciência disso — ou de como lidar com elas. Alguns exemplos de crenças são “Eu não mereço ter sucesso”, ou “Dinheiro é sujo” — esta é particularmente importante, pois causa uma má relação com o dinheiro, e com a prosperidade. Se eu acho que o dinheiro é sujo, ou se quem ganhou muito dinheiro o ganhou de forma injusta, como é que eu vou ficar bem se eu começar a ganhar dinheiro?

A pressão do ambiente familiar, de forma tóxica, também pode influenciar. Imagine que você vem de uma família de poucos recursos materiais e de repente começa a ir bem na escola, ou no trabalho. Isso gera um sentimento de orgulho por parte dos familiares, mas também pode gerar um sentimento averso por outros, acostumados a escassez ou ao insucesso. Inveja, ciúmes — mesmo raiva — podem ser sentimentos que outros membros da família podem apresentar — e projetar em você — de forma inconsciente ou sem controle. Pessoas que ainda não tem um bom equilíbrio emocional podem se sentir afetadas pelo seu sucesso e bem estar, de forma a projetar suas próprias insatisfações, o que pode nos colocar num estado de nos sentirmos culpados pela infelicidade alheia.

Este mesmo sentimento pode ocorrer com amigos próximos, por contaminação. Imagine que você chega num encontro de amigos e todos começam a reclamar da vida. Para alguns é a saúde, relatando um carrossel de dores e sintomas. Para outros, é a situação econômica ou política do país. E para você, que está bem, pode parecer estranho dizer em alto e bom som, “Bem, eu não estou sofrendo de nada, estou super bem e tranquilo!”. Pode lhe soar desconfortável, e até mesmo “agressivo” para seus amigos. Como se a sua felicidade fosse ruim para os outros. O resultado? Nos calamos, ou começamos a contar coisas que diminuem o nosso estado, apenas para ter aquela sensação de “pertencimento” ao grupo — que neste caso é muito tóxica. Pior, podemos começar a nos sentir errados por nos sentirmos bem, como se não estivéssemos vendo tudo o que deveríamos ver. Se isso acontece, o que isso causa é uma diminuição em nossa confiança em nossa própria intuição, em nossos sentimentos e sensações. Substituímos o nosso próprio saber pelo do outro, que nunca vai estar em nossa pele para realmente saber o que de fato precisamos, naquele momento.

E como cuidamos para que a nossa sensação de bem estar permaneça?

Vimos três formas em que nosso bem estar pode ser minado: projeções, contaminações e crenças.

As crenças devem ser trabalhadas de forma a melhorar este “ponto cego” em nossa auto estima. Pode ser feito um trabalho de afirmações positivas, como o demonstrado por Louise Hay, e até um trabalho externo com o uso de ThetaHealing₢, PNL ou Psych-K, por exemplo. Ao trabalhar o nosso sistema de crenças, sozinhos ou com o uso de outros recursos como terapias, também melhoramos a nossa resiliência e resistência à contaminações e a exposição de sentimentos tóxicos externos.

Há uma outra frente a ser investigada, que é a identificação ou fidelidade a determinado grupo, sistema ou família. A Constelação Familiar investiga a fundo laços e emaranhamentos que podem nos fazer sentir como se “não pertencêssemos” ao nosso grupo de origem se começamos a nos destacar, ou nos sentirmos bem — caso o grupo tenha um sentimento base negativo. Um trabalho com Constelação é muito importante quando identificamos isto, pois isso nos permite honrar nossas origens e mesmo assim seguir em frente com nossa vida de forma saudável.

E você? Já se sentiu assim? Escreva o que acha no espaço de comentários abaixo, e como lidou com isso. Ou entre em contato em meu site para me contar o que achou do texto!

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