Nós sentimos emoções a todo momento, mesmo sem termos total consciência disso. Porém, algumas emoções parecem nos tomar de assalto e, fugindo ao nosso controle, dão aquela sensação de que fomos inundados por ela e nada mais resta a não ser nos entregar a este “tsunami emocional” que chega sem aviso e nos tira do eixo.

Emoções difíceis, ou desafiadoras, são isso: são emoções que temos dificuldade em lidar sozinhos, nos tirando de nosso eixo e que nos impedem de continuar realizando nossas tarefas cotidianas. Ou aquela emoção que sentimos, bem no fundo, e que nos impede mesmo de começar algo que deveríamos fazer, fora de nosso controle.

E como podemos lidar com elas? O controle emocional necessário para lidar contra essa sensação aparentemente incontrolável, seja um medo paralisador ou uma raiva fora de proporção, leva alguma prática para acontecer no momento em que esta emoção começa. Esta prática se inicia com um passo a passo simples, feito com um mínimo de centramento para que possamos ter consciência dos eventos e assim irmos aumentando nossa resiliência, ou seja, nossa resistência emocional que vai bloquear ações automáticas, como paralisia ou explosões sentimentais.

O primeiro passo é: Respire.

A respiração é um dos poucos subsistemas de nosso Sistema Nervoso Autônomo — responsável por controlar nossas funções vitais — que podemos exercer um razoável controle consciente. É difícil controlarmos os nossos batimentos cardíacos, ou a liberação de certos hormônios. Mas a respiração, que funciona sozinha a maior parte do tempo sem termos que nos preocupar com ela, conseguimos alterar de forma atenta, relaxando nossa exalação ou aumentando nossa inspiração, por exemplo.

E é comprovado cientificamente, através de estudos diversos, o papel que a respiração exerce sobre outros subsistemas, como o circulatório (alterando indiretamente o nosso batimento cardíaco) ou na liberação de hormônios e outras substâncias que regulam o nosso corpo.

Assim, uma respiração mais relaxada vai nos ajudar a relaxar o corpo todo e nos tirar de um estado de tensão, onde fica difícil avaliar de forma consciente e centrada o nosso estado emocional. Basta prestar atenção em como estamos respirando e tentar uma inspiração mais profunda da que fazemos no momento em que nos sentimos mais tensos, e uma exalação mais “solta” — pense naquele alívio que sentimos quando nos jogamos no sofá quando chegamos em casa e você vai ter um bom exemplo de uma exalação bem solta e relaxada.

O segundo passo é reconhecer e acolher sua emoção. Após nos tranquilizarmos através de uma respiração consciente, devemos reconhecer que aquela emoção está ali, não entrando em negação do que sentimos. Muita pessoas tem dificuldade em admitir que estão com raiva, por exemplo. Assim acabam reprimindo seus sentimentos negativos, o que faz com que ele se “acumulem” em nosso incosciente ficando represados. Esta repressão é um dos fatores que geram o tal “tsunami” quando a barragem estoura e nós perdemos nosso controle. Acolher este sentimento significa apenas reconhecer que ele tem um lugar, um motivo de ser em nossa psiquê. Assim fica mais fácil trabalhar com ele, ao invés de negar que o problema exista.

Para outras pessoas o problema pode ser o inverso: A pessoa já sabe que tem raiva, mas num ponto de desequilíbrio, chegando a se identificar totalmente com ela. Quantas pessoas conhecemos que costumam dizer “Eu sou uma pessoa nervosa”? Há nesta frase um grau enorme de identificação com as próprias emoções, ao ponto da pessoa afirmar “eu sou esta emoção”. A verdade é que não somos. Reconhecer que as temos também significa reconhecer que elas acontecem em nosso corpo, mas elas não nos definem como pessoas. Temos emoções, não somos elas, é algo importante para discernir.

Após reconhecer que sua existência e dar a ela um lugar em nossa vida, precisamos “nomear”, ou seja, identificar esta emoção. É raiva? É medo? É irritação? Algumas pessoas estão tão desconectadas que sequer sabem o que sentem, e depois que passam por um surto emocional dizem: “Sei lá, não sei o que aconteceu”. Precisamos identificar claramente o que se passa, e isso é feito com calma e com atenção, principalmente ao nosso corpo. Nossas emoções se manifestam através de uma intricada rede de reações fisiológicas. Tensões ou relaxamentos localizados, tremores, aumento ou diminuição de temperatura, dores, formigamentos. Sem contar com os processos que não percebemos conscientemente, como liberação de hormônios. Ajuda muito se além de nomear a emoção nós damos sobrenome — e endereço — para ela. “Eu sinto raiva de meu chefe quando ele me julga assim. Sinto isso no meu corpo, que começa a tremer e suar e minha cabeça esquenta!”. Isso é um ótimo começo.

Após reconhecermos com quem estamos lidando — no exemplo, a raiva do seu chefe — é importante checarmos algumas coisas. A primeira é: Sou só eu que tenho esta resposta emocional ou mais pessoas também tem? Compartilhe este questionamento com alguém de sua confiança, ou que esteja passando pela mesma situação. Isso tem várias funções: Nos ajuda a dividir um fardo, aliviando aquele sentimento de que estamos passando por isso sozinhos, e coloca uma outra perspectiva, de fora, sobre o problema. Se só nós sentimos isso, podemos entender com uma visão de fora quais são as nossa reações que muitas vezes não percebemos. Se é um sentimento comum a outras pessoas, pode nos ajudar a juntos descobrir quais são os gatilhos que disparam aquele sentimento incontrolável, e em que pontos da nossa história temos ressonância com outras pessoas. A raiva ao julgamento pode vir de muito antes, de uma ferida feita na infância quando enfrentamos o julgamento de nossos pais. Outra pessoa pode ter uma ferida parecida, mas causada pelo julgamento na escola. Falar sobre isso nos ajuda a entender de onde vem estes sentimentos difíceis e incontroláveis, e traçar paralelos que nos mostram caminhos a seguir para cuidar destes sentimentos de forma mais sadia.

Após nos equilibrarmos, acolhermos, reconhecermos, identificarmos e compartilharmos, o que nos resta fazer? Agir!

Agir no caso significa que depois de encontrarmos o gatilho que dispara esta emoção difícil de ser controlada devemos criar estratégias para que ela possa ser expressa de uma forma mais saudável. Saudável para nós e para o nosso entorno, já que — por exemplo — sair quebrando tudo e gritando com todos não parece ser a solução mais equilibrada a ser feita.

O que está em seu controle, é a primeira questão a ser respondida agora. De fato, algumas coisas não estão ao nosso alcance (o comportamento do nosso chefe) mas é possível perceber o que nós podemos controlar, como a nossa reação a ela. O que gostaríamos de mudar? Como isso pode ser feito?

Um exemplo de atitude que me ajudou em casos em que a resposta emocional era causada por outra pessoa foi a minha conscientização de que as minhas respostas emocionais vinham de dores passadas, de feridas que há muito tinham sido geradas. Isso me deu a percepção de que a forma como eu reagia, tinha como base traumas ou questões de quando eu era uma criança, sem consciência o suficiente para lidar com aquela situação. Esta perspectiva me fez enxergar que não só eu, mas todas as pessoas reagem da mesma forma. Isso criou empatia, e mesmo eu não gostando de certas atitudes, eu tenho uma consciência de que aquela reação atual vem de questões muito antigas em outras pessoas também, quando elas também não tinha consciência. E assim, através da empatia, eu me coloco no lugar do outro, e isso me ajuda a não “estourar” com a outra pessoa e poder me comunicar melhor sobre o ocorrido.

Sempre que eu tomo uma atitude impensada, e que gera algum tipo de problema, eu procuro fazer este caminho relatado, com calma, para perceber a real origem daquela emoção. Eu fico com raiva porque o meu chefe me julga, ou é porque eu me sinto triste quando me sinto julgado pois isso me remete a quando eu fui julgado por meus pais quando eu era pequeno? Isso é bom, pois tira da pessoa atual o peso de ser a causa das minhas dores. Percebemos que a causa não é ela, e sim uma dor interna, a qual sem um acesso consciente eu não tinha como controlar.

Percebendo a real causa, fica mais fácil ver que os gatilhos que disparam os nossos “tsunamis emocionais” não são o real motivo dessas emoções, e nos levam a um caminho para cuidar e tratar as reais feridas, seja através de uma terapia ou um exercício de auto cura e autoconhecimento que vão aumentar a nossa resiliência. O método de Respiração Bioflow é excelente como exercício de percepção e alinhamento emocional!

E assim deixamos de querer construir barreiras mais fortes e rígidas contra estas ondas gigantes, e vemos que aprender a nadar pode ser mais fácil — e saudável — para lidarmos com nossas emoções desafiadoras.

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