Essa frase que o psicólogo Roniel Lopes disse num encontro ressoou dentro de mim, pois as duas coisas se confundem. Muitos de nós vivem no futuro, ansiosos e inquietos, achando que estão se preparando para ele.
Mas viver no futuro — não no presente — imaginando cenários catastróficos, quase sempre nos desgasta, estressa e pouco nos ajuda. Como?

Um das definições de ansiedade que poderíamos usar para este texto seria que ela é o medo do futuro. Por estarmos com medo de algo que ainda pode acontecer, essa sensação de incerteza e de medo algumas vezes são tão insuportáveis para o corpo que como uma forma de dissociação nossa consciência se projeta diretamente para o “futuro”, em nossa mente, e fica antecipando diversos cenários. Sem conseguir identificar que o que eu sinto agora e o que me paralisa de viver o momento atual, não saio do lugar e me projeto para frente, na imaginação. Em nossa imaginação podemos ficar remoendo assuntos e eventos catastróficos, esperando pelo pior, ou ficar fantasiando cenários lúdicos onde aquilo que nos atormenta no presente nem acontece, nem nunca acontecerá. Sonhamos acordados, nos enganamos, através do pensamento mágico que cria realidades irreais.

Quando vivemos plenamente o presente podemos, de forma centrada e equilibrada, planejar o futuro. Num caso eu fico parado, pois eu “me coloquei” lá no futuro, e nada faço de concreto aqui no presente. Fico nesse futuro imaginário, fantasioso. ⠀

No segundo caso eu vivo cada momento de hoje, e esses momentos vão construir as bases do meu futuro. Será algo construído, e feito por mim, pois faço do aqui e agora os tijolos do meu futuro. Pode não ser tão confortável, enfrentar essas sensações desconcertantes de medo, de incerteza e de angústia, mas uma vez que conseguimos passar por isso e realizar atividades concretas que nos vão fazer dar um passo à frente, o alívio se encontra com a satisfação.

Vejo hoje muitas pessoas perdidas na quarentena, com medo e ansiedade sem agir de acordo para melhorar suas chances quando tudo terminar. Há muitas razões para isso, mas melhorar nossa vida passa por viver centrado no presente, e não num futuro hipotético e imaginário. Passa por enfrentarmos os nossos medos e conseguirmos — com ajuda se possível — caminhar no aqui e agora. Somente aceitando a nossa realidade e enfrentando nossos sentimentos e sensações que nos atiram em outra direção.

Por isso eu sempre indico o trabalho com terapias corporais de educação e consciência somática, que vão aos poucos ensinando o corpo a lidar com sensações e sentimentos de uma forma gradual e que não exceda o limite pessoal de trabalho de cada pessoa.

Dessa forma é possível ancorarmos a nossa presença e atenção no momento atual, sem subterfúgios e de forma consistente. E, dessa forma, nos ajudarmos a planejar um futuro melhor ao invés de “viver” um futuro irreal.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s