Todo relacionamento é baseado num equilíbrio entre as partes, e parte desse equilíbrio é gerado pela dinâmica do “dar e receber”, conceito disseminado por Bert Hellinger em seu trabalho com Constelações Familiares. 

Joan Garriga usa ainda a expressão “dar e tomar”, dando um caráter mais ativo para a pessoa que recebe. É necessário tomar o que é dado, de forma consciente, e não apenas receber de forma passiva o que é oferecido. 

Esta dinâmica, aparentemente simples, esconde um equilíbrio delicado. Eu devo oferecer ao outro o que eu posso dar, e o outro, na mesma medida, deve tomar o que consegue de mim, e me oferecer algo em troca que também esteja dentro das suas possibilidades. Desta forma não se fica uma “dívida” pelo que foi recebido, e eu retomo a minha autonomia e liberdade com dignidade. 

A simplicidade termina aí. Algumas vezes é possível ter este equilíbrio de forma harmônica, mas a nossa história de vida, cheia de exemplos desequilibrados ou feridas a serem curadas, se junta a história do outro, com igual medida de desbalanços. O resultado é que muitas vezes eu acabo oferecendo mais do que eu posso dar, ou do que seria justo e saudável. Posso ter uma crença de que “nunca faço o bastante” e portanto fico sempre compensando, oferecendo coisas ao outro que não foram pedidas, ou não são necessárias. Pode ser também que eu tenha a chamada “Síndrome do salvador”, e portanto eu fico sempre me doando para o outro, tentando salvar ou melhorar a sua vida de todas as formas. Ou, se estiver num roteiro de vitimismo, fico do outro lado esperando tudo, quero apenas receber, sem dar nada em troca, como um filho a espera da comida da mamãe. 

Um dos resultados deste desequilíbrio é que o outro fica virtualmente com uma grande dívida de ações que não consegue “pagar”. A retribuição, física ou emocional, fica tão desproporcional frente às expectativas que o desequilíbrio gera mais tensões e problemas, ao invés de soluções. É comum que num destes estados o outro abandone a relação, por não suportar a dívida, ou não suportar mais doar tanto a mais do que realmente deveria.

Para ter um relacionamento saudável, uma das chaves é equilibrar esta balança, fazendo apenas o que me cabe, e dentro do que eu posso receber. Do outro tomo também  apenas aquilo que é o justo, sendo grato pela sua disposição, mas na medida exata em que ela possa oferecer. Assim eu posso pagar um auxílio prestado com um belo jantar, e a outra pessoa pode me pagar o jantar com um afeto, e criamos uma espiral harmônica de crescimento contínuo, baseado num equilíbrio dinâmico justo para todos. 

E você? como anda o equilíbrio das ações em sua relação? 

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