“Todo ser nasce com a possibilidade de ser feliz, saudável e se autorrealizar e a doença representa o bloqueio dessas capacidades no ser humano. A saúde é silenciosa e pouco nos fala, porém, quando adoecemos todo o nosso organismo começa a falar conosco”.

Nadia Nardesi

A comunicação de nosso corpo é bem mais enfática quando adoecemos. Os sinais de dor e desconforto são mais perceptíveis e falam mais alto a nossa consciência. No entanto, quando estamos com saúde, muitas vezes temos dificuldade de descrever esta sensação de bem-estar, nos limitando com algo como “Estou bem”, “Estou normal” ou até mesmo – “Eu não sinto nada“!

Parece que nos faltam palavras ou meios de comunicar o nosso bem-estar. Já os adjetivos ou expressões para o nosso desconforto surgem de forma mais fácil e mais elaborada. “Sinto que tenho um guarda-chuva na boca”, “Minhas costas estão duras como uma pedra”, “Parece que eu pisei num vespeiro”, “Tem uma brasa queimando em meu estômago”. Na dor, somos quase poetas.

Evolutivamente, isso faz muito sentido, pois nos tornamos mais atentos ao que interessa quando algo sai do seu estado de normalidade, e portanto os sinais de que estamos bem – embora tenha uma sensação geral de bem-estar – nos chamam menos a atenção do que quando estamos com dor, desconforto ou perigo. 

Somestesia é a capacidade dos humanos e animais de receber informações de diferentes partes do corpo e que nos ajudam na percepção de nosso estado interno, tanto de bem estar ou de desconforto. É através dos nossos 5 sentidos que percebemos o mundo exterior, mas há também uma série de percepções outras que nós usamos para saber como estamos internamente, conseguindo assim informações sobre a nossa temperatura, nosso equilíbrio, nosso estado emocional e fisiológico.

O problema surge quando a percepção entre o que está bem e o que não está fica corrompida e a comunicação com o nosso corpo fica prejudicada, dificultando um diagnóstico preciso sobre o que sentimos. Ou estamos fora de perigo, mas o nosso corpo insiste em nos dizer que não estamos bem, ou estamos mal, mas não conseguimos “ouvir” o que o nosso corpo nos diz à respeito. 

Este “desalinhamento” entre a realidade do nosso corpo e nossa percepção pode gerar tanto uma hipersensibilização dos sentidos, levando a pessoa a reagir com intensidade com um mínimo de estímulo ou  – ao contrário – a uma insensibilidade, onde a pessoa não responde a estímulos ou tem dificuldade de perceber em seu corpo as alterações passadas. 

E como podemos tentar corrigir esta diferença que há entre o que acontece conosco e o que percebemos, de forma saudável? Existem algumas técnicas que trabalham com o nosso corpo e que conseguem, através de sua prática ou de suas sessões, aumentar a nossa consciência corporal. Esta consciência é fundamental para que nós possamos ter uma percepção correta do que estamos passando, seja bom ou ruim. Temos que ter em mente que tudo o que nós experimentamos, nós experimentamos no corpo. Todas os nossos pensamentos, sensações e emoções acontecem nele. E só acontecem porque temos um corpo. Toda técnica que amplia nossa conexão com ele vai ajudar a sabermos melhor como nos sentimos e o que nos aflige. 

Entre estes métodos eu tenho visto muitos resultados positivos com duas técnicas breves que trabalham como base a nossa percepção corporal: A respiração Bioflow, desenvolvida por Fanny Van Laere, e a Experiência Somática, ou Somatic Experiencing₢ no original em inglês, desenvolvida por Peter Levine. A respiração Bioflow trabalha com a nossa respiração, desbloqueando distúrbios que nos impedem de ter uma vida plena, realizando um alinhamento entre nossas sensações, emoções e nossa consciência racional. A Somatic Experiencing₢ trabalha com a ajuda de um terapeuta em que desconfortos, traumas e questões que trazemos para a terapia são trabalhadas de forma a que o próprio corpo possa liberar tensões e bloqueios de forma muito suave. 

As técnicas têm suas diferenças de aplicação e metodologia, mas ambas trabalham com um pilar em comum: O aumento da consciência corporal e emocional que vai gerar um estado de maior presença e consciência, um aumento da resiliência no cliente que por sua vez vai influenciar em como ele se posicionar frente ao mundo. São técnicas que nos ensinam a ouvir melhor o nosso corpo e enxergar melhor as emoções por trás de tudo o que percebemos em nós e ao nosso redor.

E com elas aprendemos melhor a ouvir o nosso corpo e também a expressar melhor o que se passa conosco. E aprendemos a fazer isso através do nosso corpo, e para o bem estar dele. 

Referências

https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47135/tde-19112001-111659/publico/tde.pdf

https://www.traumatemcura.com.br/somatic-experiencing/oque-e

https://www.infoescola.com/sistema-nervoso/dor

http://globoesporte.globo.com/blogs/especial-blog/leo-tubarao/post/o-que-e-endorfina-e-como-ela-funciona-no-seu-corpo.html

2 pensamentos

  1. Olá Francisco, tudo bem?

    Gostei bastante do texto e do tema e gostaria de fazer um convite.
    Topa fazer uma live comigo no instagram sobre esse tema?
    Fique muito a vontade para qualquer que seja a sua resposta.
    Tenho feito live’s em dupla e tem sido bem interessante, já falei com pessoas bem especias.
    Sinta ai no seu coração e me fale o que acha.
    Com carinho, Flávia

    Curtir

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