Terapia não precisa ser um confessionário

Desmistificando a Experiência Terapêutica

Há uma visão bastante comum de que terapia é como um confessionário. Muitos acreditam que vão à terapia para revelar segredos que não contariam a ninguém, confessar o inconfessável, expor suas vergonhas e, eventualmente, falar mal dos próprios pais. Essa percepção tem seu lado positivo: a terapia pode ser um espaço seguro para abordar tabus, desabafar sem medo de julgamento e processar questões difíceis de admitir até para si mesmo.

Tudo isso é verdade. Mas essa percepção não é a única.

Para algumas pessoas, a terapia parece um ambiente hostil, um lugar onde se sentirão forçadas a admitir coisas que preferem ignorar. A ideia de expor sentimentos desconfortáveis ou compartilhar memórias dolorosas pode ser paralisante. A resistência é compreensível: afinal, diferentemente de uma conversa com amigos ou familiares, o processo terapêutico demanda uma exploração mais profunda e, por vezes, incômoda de temas sensíveis.

No entanto, terapia não precisa ser sinônimo de desconforto ou perigo.

Segurança é Fundamental na Terapia

Dr. Stephen Porges, criador da Teoria Polivagal, diz: “Segurança é o tratamento.” Em outras palavras, o objetivo da terapia é ajudar o cliente a desenvolver um senso profundo de segurança — consigo mesmo, com os outros e com o ambiente ao seu redor. Esse sentimento é essencial para que o processo terapêutico seja bem-sucedido.

Por isso, uma das primeiras coisas que enfatizo em meus atendimentos é que não há necessidade de tocar em assuntos delicados até que o cliente se sinta seguro para fazê-lo. Pode parecer óbvio, mas essa garantia costuma trazer um imenso alívio. Saber que você tem controle sobre o ritmo da sessão pode fazer toda a diferença.

Terapias Somáticas: Nem Sempre É Preciso Falar

Outro ponto importante é que, com abordagens somáticas, existem alternativas para trabalhar traumas e questões delicadas sem a necessidade de falar sobre o evento em si. Isso surpreende muitas pessoas: “Como assim vou à terapia para falar dos meus problemas e não preciso falar?” Sim, isso é possível.

O trauma se instala em nosso corpo por meio de reações físicas que não conseguimos controlar, como a desregulação do sistema nervoso. Para as terapias somáticas, o evento traumático em si é secundário. O foco está nas manifestações diárias do trauma: tensões musculares, comportamentos repetitivos ou reações instintivas indesejadas.

A abordagem somática permite que o terapeuta oriente o cliente a perceber e reequilibrar essas reações corporais no presente. Assim, é possível acessar a raiz do desconforto sem reviver explicitamente a situação que causou o trauma.

Benefícios das Terapias Somáticas

Essa metodologia é especialmente eficaz para quem possui traumas severos e uma resistência natural em falar sobre eles. Por meio de práticas que incluem percepção corporal, respiração e movimentos suaves, é possível:

• Descarregar memórias traumáticas armazenadas no corpo.

• Reduzir tensões e padrões de comportamento disfuncionais.

• Reconstruir uma sensação de segurança e equilíbrio.

Dessa forma, trabalhamos diretamente com a resposta corporal ao trauma, respeitando os limites do cliente e protegendo sua privacidade.

Uma Abordagem Compassiva e Respeitosa

A terapia é um caminho para restaurar o equilíbrio da vida. No caso das terapias somáticas, você não precisa reviver sua dor verbalmente para iniciar sua cura. Essa abordagem respeitosa permite trabalhar questões sensíveis com suavidade e cuidado, promovendo alívio e bem-estar de forma progressiva e sustentável.

Se você tem dúvidas sobre como isso funciona, me envie uma mensagem! Vamos agendar uma conversa para que eu possa explicar, na prática, como a terapia somática pode te ajudar.

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